4ª feiras como pequenos sábados
Li na Wikipédia que a 4ª feira nos EUA é vista como o segundo pior dia da semana, atrás da 2ª feira, justamente porque ainda falta muito tempo para se chegar ao sábado. Por sua vez, nos países nórdicos, em vez de se sofrer considera-se que aquela mesma 4ª feira é como se fosse um pequeno sábado. Carpe Diem. Para que isso também possa acontecer por estas bandas, vou passar a publicar, em cada 4ª feira, textos que nos façam sorrir, emocionar, sentir que não estamos sós.
Serão textos selecionados por mim que vou encontrando aqui e ali. Os primeiros provêm do Correio da Educação, uma newsletter que o Matias Alves dinamizou, entre 1999 e 2003, e que reencontrei à procura de material para lhe prestar a minha homenagem na sua ‘última lição’ que teve lugar na Universidade Católica, no passado dia 3 de novembro. Por isso, não será por acaso que o primeiro texto é da sua autoria. Intitula-se ‘Às vezes é bom ser professor’.
Às vezes, é bom ser professor. Quando uma lágrima se suspende e um sorriso se entreabre no rosto de um aluno. Quando uma palavra se escreve a dizer obrigado! Gostei muito da aula de hoje. Quando se sente a azáfama do trabalho, a participação activa. Ou mesmo o silêncio empenhado.
Às vezes, é bom ser professor. Quando no supermercado encontramos um aluno de há muitos anos e logo surge um cumprimento efusivo, então professor, há quanto tempo... que é feito de si? Ou quando outro aluno nos mostra, com um largo sorriso, um livro antigo oferecido com uma dedicatória à sua irmã, que agora é médica. Ou mesmo quando o José Alberto Carvalho dedica o Globo de Ouro à sua professora primária que o ensinou a distinguir o essencial do acessório.
Sim, é bom ser professor. Sentir o calor humano, ensinar a descobrir o mistério das coisas e da vida. Ver a disponibilidade e a generosidade. E mesmo quando o esforço é grande e o resultado é pequeno, mesmo quando a voz enrouquece e o peso da sombra teima na ameaça, é (quase) sempre bom ser professor.
Não há profissão tão entusiasmante e tão exigente como a do professor. Esta é a nossa principal glória. A marca radical de um ofício que muitas vezes se constitui como a hora de deslumbramento.
Matias Alves (Correio da Educação, nº 37, 2 de maio de 2000)


Com a minha gratidão.... É frequente, perguntar-me, mas fui eu escrevi isto? tal a carga emotiva que me que me invade... Sim, devo ter sido. Obrigado.