A natação como parábola educativa
Foi Dewey que na sua reflexão sobre a Escola nos confrontou com a parábola da natação. Em vez de a parafrasear, decidi atualizá-la e é isso que quero partilhar convosco.
A estória começa quando a família de Artur decidiu que ele teria de aprender a nadar. Matricularam-no numa escola de natação muito prestigiada onde começou por ter aulas de Química, Física e Biologia.
Em Química teve de aprender que a água é uma substância composta por dois átomos de hidrogénio e um de oxigénio, para conhecer as propriedades do contexto onde iria realizar a atividade natatória.
Em Física começou pela matéria de Hidráulica, onde começaram por lhe ensinar que Arquimedes descobriu que todo o corpo que mergulha num fluido recebe, da parte deste, uma impulsão vertical de baixo para cima e de intensidade igual ao valor do peso do volume de fluido deslocado pelo corpo. Por isso, Artur teve de memorizar que o corpo se afunda se o peso for maior que a impulsão; fica em equilíbrio se a impulsão for igual ao peso e, finalmente, que o corpo flutua quando a força de impulsão é maior do que o peso. Justificada, deste modo, a necessidade de aprender a nadar, passou para as aulas de Mecânica onde soube que ia estudar o movimento, o repouso e o equilíbrio dos corpos, bem como as forças que os produzem e a energia envolvida. Ficaram-se por Newton para lhe ensinar que o movimento dos corpos podia ser explicados por três leis principais: a da inércia, a da força e a da ação-reação. Daqui, o professor que era adepto de aprendizagens significativas, achou que ele estava em condições de compreender os diferentes estilos da natação. No estilo de bruços, ensinou-lhe que o corpo deve permanecer completamente alongado de barriga para baixo e os dois ombros paralelos ao nível da água, com os movimentos de pernas e braços sincronizados e simultâneos, sem movimentos alternados. No estilo crawl, a entrada dos braços na água é alternada e coordenada com o batimento das pernas que se movem também de forma alternada, ligeiramente na vertical. No estilo costas, o nadador deve nadar de barriga virada para cima, enquanto no estilo mariposa deve existir total sincronização entre os dois braços a funcionar como propulsores, primeiro completamente estendidos quando o corpo desliza e depois submersos e abertos sobre as costas até afundar de novo. As pernas batem na água com a planta do pé virada para cima e a respiração é feita quando os braços iniciam a recuperação.
Em Biologia, finalmente, foi-lhe proposto um trabalho de pesquisa para conhecer a importância da natação para a Saúde.
Fez os exames, onde foi aprovado, o que permitiu comprovar que Artur podia passar para a fase seguinte, dado que dominava os fundamentos teóricos da natação. Atiraram-no, por isso, para uma piscina, de modo a poder aplicar aí, tudo o que tinha aprendido.
Só não morreu afogado porque, perto dele, um nadador-salvador fazia o seu treino diário.
Na avaliação do incidente, concluiu-se que não basta que as aulas sejam significativas, é necessário, acima de tudo, que os alunos tenham vocação para aprender a nadar, mesmo que, tal como se recomendou no relatório, talvez fosse necessário introduzir quatro pequenos vídeos que servissem como tutoriais para apoiar o professor a ministrar aulas mais contextualizadas sobre os quatro estilos de natação.
Referências
As referências para construir este texto foram encontradas em manuais de física e de química e nos sites disponibilizados pela «RTP Ensina» sobre as técnicas de natação. A realidade também foi uma fonte de inspiração decisiva.

