Bernard Charlot
Hoje, dia 4 de dezembro de 2025, soube do falecimento do Bernard Charlot. Companheiro de muitas jornadas, não posso deixar de o ver como um dos meus mestres. Sei que as suas obras se enquadram no campo da Sociologia da Educação, mas são as suas reflexões epistemológicas sobre a relação dos estudantes com a Escola que as transformam em trabalhos cuja originalidade e pertinência políticas constituem um legado único que, por isso, vai permanecer. À qualidade do seu trabalho como investigador e pensador, associo a sua capacidade de interlocução tão exigente e rigorosa quanto humana e cosmopolita.
Não o verei no próximo dia 16 de dezembro, na defesa da tese de doutoramento da Caroline Fuhr, e sei que isso vai doer, mas o que nos resta? No meu caso, é subir as escadas, entrar no escritório, olhar para a prateleira, e mesmo com uma lágrima quase a rolar do canto do olho, saber que lá estão, riscados, comentados e muito estudados, alguns dos livros que o Bernard escreveu e que me têm vindo a acompanhar e a aconchegar o pensamento e a ação, a começar pelo decisivo «Da relação com o saber: Elementos para uma teoria», mais o «Da relação com o saber às práticas educativas» ou «A mistificação pedagógica: realidades sociais e processos ideológicos na teoria da educação». Por fim, também lá estão «Os jovens e o saber: Perspectivas mundiais» ou a «Relação com o saber, formação dos professores e globalização: Questões para a educação de hoje».
Apesar de saber que continuas comigo, como gostaria de te abraçar.

