Perante as dificuldades dos professores em lidarem com os problemas comportamentais e a má-educação dos alunos nas salas de aula, quantas vezes não ouvimos proclamar que a solução para o problema passaria pelo reforço da autoridade docente. Imagino que esta seria uma reivindicação dirigida para o Ministro da Educação, como se o reconhecimento da autoridade pouco ou nada tivesse a ver com o que se passa nas escolas e nas salas de aula. Como se o reconhecimento da autoridade fosse como que um reconhecimento automático, assegurado, apenas, pela lei, sem se ter em conta o modo como cada ator educativo contribui para que os estudantes e as famílias reconheçam o poder da Escola e dos professores.
Já houve um tempo, neste país, em que isso foi assim. Felizmente, deixou de ser, mas... A vida em sociedades democráticas tem os seus custos. É mais exigente, sob todos os aspetos, não havendo lugar nem para soluções perfeita, nem para soluções sem custos e sem dor.
Reconheço que este é um assunto difícil e que merecia um debate público mais aprofundado e mais produtivo. Um debate onde sejamos confrontados com o que nos diz respeito e aquilo que diz respeito a outros. Creio mesmo que o maior obstáculo a transpor tem a ver com a dificuldade em compreendermos se somos parte da solução ou do problema.
Uma outra dificuldade do debate relaciona-se com necessidade de balizar algumas impossibilidades, nomeadamente aquela a que se refere Meirieu (2006) quando escrevia que nós os professores não devemos exercer “a nossa autoridade para saciarmos um desejo de poder, mas porque a cremos necessária para que o mundo seja melhor e para que os nossos filhos sejam mais solidários e mais felizes nele. A nossa autoridade só é legítima se permitir aos nossos filhos e às nossas filhas descobrir, no quotidiano, o que lhes é prometido no seio do mesmo, mesmo aquilo que lhes é proibido. O que, no fim de contas, tem um único objetivo: ajudá-los a livrarem-se de qualquer forma de tirania” (p. 297).
Referências bibliográficas
Meirieu, Philippe (2006). O mundo não é um brinquedo. Porto: Edições ASA.

