Educar: Ténis ou de frescobol?
Frescobol é a designação, na variante do português do Brasil, para um jogo de ar livre, muitas vezes de praia, entre duas pessoas munidas de raquetes rígidas que procuram manter no ar uma bola de borracha. Utilizo, propositadamente, a designação frescobol porque a ouvi no âmbito de uma parábola educativa que o pedagogo brasileiro Ruben Alves utilizou, de forma a ilustrar dois tipos de ação educativa e de relação pedagógica: uma subordinada à lógica de um jogo de ténis e outra à lógica do frescobol.
Para Ruben Alves, o ténis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. Joga-se ténis para fazer o outro errar e, por isso, o jogo termina, o mais rapidamente que for possível, com a alegria do vencedor e a tristeza do vencido.
O frescobol, dizia Ruben Alves, é muito parecido com o ténis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, lembrava o velho mestre, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la. Aqui ou os dois ganham ou os dois perdem. E, como que interessa é prolongar o jogo, ninguém fica feliz quando o outro erra, pois o que se deseja é que ninguém erre, para que a brincadeira possa prosseguir. No entanto, se alguém errar, pede desculpa ou, então, o que provocou o erro sente-se culpado. Só que não tem importância: começa-se de novo um jogo em que ninguém marca pontos, para que ambos possam usufruir desses momentos de prazer compartilhado.

