O domador de dragões
Era uma vez um homem que, por acreditar nas histórias que o avô materno lhe contava, dedicou uma parte importante da sua vida a formar-se para matar dragões. Quando se achava suficiente preparado, viajou, então, para as longínquas montanhas onde, segundo os relatos daquele avô, os dragões viviam, aterrorizando as aldeias .
Decidido a combatê-los, procurou-os ao longo dos anos e não encontrou nem um único desses seres lendários que haviam povoado as histórias da sua infância.
Frustrado, voltou para casa, amadurecendo, no entanto, uma ideia no caminho do regresso. E, assim, apesar de não haver dragões no país, não foi isso que o impediu de inaugurar uma escola onde ele se dedicou a ensinar a matar dragões.


Este texto já o vi ser usado para falar dos cursos inúteis, cuja pertinência social não se vislumbra. Também pode ser usado para evidenciar a falta de sentido e de significado dos projetos de educação escolar. Veja-se os últimos debates sobre educação literária. Veja-se como eles ignoram a realidade dos leitores faz de conta que andamos a criar e compreende-se porque a nossa Escola parece, muitas vez, uma escola de domador de dragões. Abraço
Ai, como eu gostava que desenvolvesse este aparente paradoxo!