Os direitos de reler e de poder ler qualquer coisa
O quarto direito do leitor para Pennac (2008) é o direito de
“Reler o que se tinha uma vez rejeitado, reler sem pular, reler sob um outro ângulo, reler para verificar, sim... nós nos concedemos todos esses direitos.
Mas relemos, sobretudo, gratuitamente, pelo prazer da repetição, a alegria dos reencontros, para pôr à prova a intimidade.
«Mais», «mais», dizia a criança que fomos...
Nossas releituras adultas têm muito desse desejo: encantar-nos com a sensação de permanência e encontrá-las, em cada outro momento, sempre ricas em novos encantamentos” (p. 137).
Um outro direito do leitor, o quinto, é o direito de ler qualquer coisa, sabendo-se que há “os ‘bons’ e os ‘maus’ romances” (idem, 139). Romances esses que se misturam nos nossos percursos de leitores.
“Sai-se de Guerra e Paz para se voltar a mergulhar em livros de aventuras. Passa-se de Sabrina e Júlia (histórias de belos doutores e de louváveis enfermeiras) a Boris Pasternak e ao seu Doutor Jivago - um belo doutor, ele também, uma enfermeira, ó quão louvável!” (idem, p. 139-140).
Pennac acredita que, “um dia, é Pasternak quem ganha” (idem, p. 140), já eu não tenho tanto a certeza, o que não me inibe de acreditar que se a Escola fizer o que tem fazer, há sempre a possibilidade anunciada por Pennac: “a de ver um aluno bater sozinho à porta da fábrica best-seller para subir e respirar na casa do amigo Balzac” (ibidem).
Referências bibliográficas
Pennac, Daniel (2008). Como um romance. Porto Alegre: L&PM Editores.

