Os discursos da decadência escolar
1820 - “Temos de confessar que recebemos algumas vezes cartas ou reclamações de indivíduos titulares deste grau (o baccaulauréat) cujo estilo e ortografia evidenciam uma vergonhosa ignorância”
(Cuvier, presidente da Comissão da Instrução Pública)
1835 - “A que se deve o facto de uma parte dos alunos que concluíram os seus estudos, mesmo sem serem hábeis na sua língua materna, nem sequer saberem ortografia?”
(Lacombe, Un coup d’oeil sur l’état actuel de l’enseignement en France)
1858 - “Não há um único que conheça sequer o título das principais obras dos trágicos da Antiguidade e da Modernidade”.
(Olleris, decano de Letras de Clermont)
1860 - “A inaptidão em expressar-se de um modo claro e coerente na sua língua materna”.
(Presidente do júri do baccaulauréat, Estraburgo)
1881 - “Queríamos simplesmente recordar aos candidatos que a Faculdade não desejaria continuar a corrigir erros de ortografia tão numerosos quanto surpreendentes. Ela deseja também que os candidatos não levem Boussuet a proferir orações fúnebres na corte de Henrique IV nem Claude Bernard predicar na primeira cruzada”.
(Gaffarel, decano da Faculdade de Letras de Clermont)
1886 - “A ortografia dos estudantes de Letras tornou-se tão deficiente que a Sorbonne se viu na obrigação de solicitar a criação de um novo seminário cujo titular teria de preocupar-se principalmente com a correcção dos exercícios de língua francesa dos estudantes”.
(Albert Duruy, Instruction publique et la démocracie, Paris: Hachêtte)
1920 - “...Debilidade dos estudos do segundo ciclo... a ignorância cada vez maior da ortografia, a negligência da expressão, a preguiça da mente para analisar e desenvolver ideias, para seguir um raciocínio”.
(Gendarme Bevotte, inspector da Academia de Paris, Relatório)
1937 - “Cada vez que se faz uma sondagem para saber o que está organizado na cabeça de um jovem, a pobreza intelectual dos alunos ou dos diplomados dos cursos superiores de ensino secundário confunde-nos... Com as provas de uma sessão de baccaulauréat poder-se-ia compor um rico florilégio de tolices”.
(Reitor Jules Payot, La faillite de l’enseignement, Paris: Alcalan).
1956 - “A decadência é real, não é uma quimera: é frequente encontrar vinte erros ortográficos numa mesma dissertação literária dos anos terminais... A desordem da escola data realmente da 4ª República
(Noel Deska, Un gâchis qui défir les réformes: L’eseignement secondaire)
Publicado no Correio da educação nº 52 em 30 de outubro de 2000

